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  • PIB tem espaço para crescer mais de 3% até 2020, avalia Fazenda

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    1.12.2017

    Por Fabio Graner | De Brasília

    O Brasil tem espaço para manter um ritmo de crescimento superior a 3% nos próximos três anos sem que haja pressões inflacionárias, nas contas da equipe econômica. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse recentemente em um evento com empresários que o Brasil tem uma ociosidade ("hiato do produto") em torno de 4,5%. Esse número, contudo, o Valor apurou que vem sendo revisado pela área técnica do governo e pode ser um pouco menor, mas ainda em nível próximo do mencionado pelo ministro.

    Nos cálculos da área técnica, o "PIB tendencial" brasileiro estaria na casa de 2%. As contas não são precisas, mas levam em consideração fatores como a média de expansão da economia nas últimas décadas. De acordo com uma fonte do governo, os choques a que foi submetida a economia nos dois anos anteriores, como a queda da confiança e o ajuste dos preços administrados, estão se dissipando e, com isso, a economia naturalmente voltaria ao seu ritmo tendencial.

    A avaliação é que o desempenho poderá ir além devido a esse "hiato do produto". Na revisão em curso do cálculo sobre a ociosidade, a equipe econômica quer "limpar" os efeitos das políticas monetária e fiscal. No caso do primeiro item, a leitura preliminar é que, pelos efeitos defasados, a política monetária neste ano ainda foi contracionista (sinal que mudará no ano que vem), o que aumentou o hiato. Assim, se esse efeito for retirado, o hiato tende a ser menor do que estimado. No caso da política fiscal, a fonte evita arriscar qual direção do efeito e considera melhor esperar as contas dos técnicos.

    Hoje, o IBGE divulgará os dados do PIB do terceiro trimestre, que deve apresentar expansão da ordem de 0,3%, nas contas dos técnicos do governo, ante os três meses anteriores. As estimativas para o fechamento do ano apontam para alta próxima de 1%, embora oficialmente o número esteja em 0,5%. O desempenho recente da economia também colocou um viés de baixa no hiato calculado pelo governo.

    Para o governo, estimativas de hiato entre 6% e 8%, como calculam algumas consultorias e instituições do mercado financeiro, são exageradas. A avaliação é que provavelmente estão considerando muito o peso da recessão de 2015 e 2016, sem considerar adequadamente efeitos desse fenômeno na redução do PIB potencial do país e na produtividade da economia.

    A queda do potencial de crescimento ocorre, segundo a fonte, porque os investimentos despencaram e, com isso, o estoque de capital existente se depreciou sem que fosse compensado. Já a queda da produtividade, na visão da área técnica, é um fato correlacionado com a recessão, mas o movimento é difícil de explicar.

    Apesar de o nível de ociosidade abrir uma avenida para um crescimento mais intenso nos próximos três anos, há dúvidas se este espaço será aproveitado, tanto no governo quanto no setor privado. Apesar do otimismo nas projeções de alta do PIB no ano que vem, há temores de que um voo mais elevado seja impedido por dificuldades como a da aprovação da reforma da Previdência, que pode afetar o nível de confiança nos mercados, mesmo em um ambiente de juros básicos muito baixos.

    "Podemos ter um novo choque negativo (fiscal e de confiança) caso a reforma não passe", comentou uma fonte do governo.

    Outro interlocutor, este do setor privado, destaca que, independentemente da aprovação da reforma da Previdência, o hiato do produto elevado não garante nem uma recuperação mais pronunciada, que é dúvida, e nem uma tranquilidade no front inflacionário, já que no horizonte surgem riscos que devem ser monitorados, como uma possível crise internacional gerada pelo Federal Reserve (o banco central americano) ou choques de alimentos e preços administrados.

    Fonte Internet:Valor Econômico 01/12/17