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    18.1.2022

    Ivan Ramalho

    No início deste mês foram divulgados pela SECEX os resultados do comércio exterior brasileiro em 2021. Apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas interna e externamente, a Balança Comercial apresentou muitos pontos positivos.

    O mais importante foi o resultado global, tendo em vista que a corrente de comércio recorde alcançou a faixa de US$ 500 bilhões (US$ 499,8 bilhões precisamente), com exportações de US$ 280,4 bilhões e importações de US$ 219,4 bilhões. Foi igualmente expressivo o saldo comercial de US$ 61 bilhões. Esses resultados consolidam nosso país como um dos principais participantes do comércio internacional.

    O Brasil possui sistema de monitoramento e divulgação do comércio exterior moderno e tempestivo desde a implantação do SISCOMEX. A SECEX e a Receita Federal estão sempre aprimorando esse sistema, inclusive investindo em novos procedimentos, permitindo assim análises amplas sobre os mais diferentes ângulos. O Portal do Comércio Exterior é um bom exemplo disso.

    Mas apesar dos bons números de 2021, as exportações ainda apresentam pontos que podem preocupar no futuro e que já persistem há vários anos. Um dos principais é a grande concentração em um número reduzido de produtos, especialmente commodities,  que estão mais sujeitas a flutuações abruptas de preços e ao desempenho da economia de poucos países compradores.  Importante destacar que em 2021 nossas commodities foram beneficiadas por aumentos expressivos de preços, o que contribuiu de forma decisiva para o bom resultado, mas o mesmo não deve ocorrer agora em 2022 ou mesmo nos próximos anos.

    Em nosso pauta de exportações voltaram a ser destaque as commodities agrícolas e minerais, destinadas principalmente para a China, atualmente nosso maior parceiro comercial. Fica evidente nossa dependência de alguns poucos produtos e também de poucos mercados. Enquanto isso, os produtos manufaturados permanecem na faixa de 30%. O Brasil é um país industrializado, com produção relevante em diferentes segmentos, e certamente os manufaturados poderiam alcançar participação mais expressiva.

    Por outro lado, o Brasil enfrenta atualmente severas críticas no exterior devido a questões ambientais. Como consequência temos sido alvo de insistentes  propostas de retaliação a alguns de nossos principais produtos. São frequentes as manifestações de autoridades estrangeiras,  de organizações não governamentais e até mesmo de redes comerciais,  insistindo em restringir a compra de produtos brasileiros. Essas campanhas e as frequentes matérias jornalísticas sobre o tema podem influenciar consumidores finais contra nossos produtos, acarretando severos prejuízos futuros para nossas exportações.

    Ainda que negociações diplomáticas possam reverter eventuais barreiras institucionais, o efeito prático não será relevante caso o consumidor final já tenha substituído o produto brasileiro por outro de origem diversa.

    Na divulgação dos resultados de 2021, a SECEX destacou que ocorreu uma razoável diversificação, o que é animador. Mas a concentração em produtos básicos e inclusive países de destino é ainda muito relevante. Fica evidente que o Brasil precisa de uma política de promoção comercial mais dinâmica e específica para a questão da diversificação, com ênfase no aumento da participação de manufaturados e na busca por novos mercados.

    Fonte Internet: Ivan Ramalho Blog de Comércio Exterior 18/01/2022