• HOME Notícias
  • O Fim do Despachante Aduaneiro

    IMPRIMIR

    21.3.2022

    Autor(a): WALTER THOMAZ JÚNIOR
    Instrutor da Aduaneiras - Cenofisco para o Programa OEA. Mestre em Administração do Desenvolvimento de Negócios pela Universidade Presbiteriana Mackenzie; (Dissertação de Mestrado acerca do Programa Operador Econômico Autorizado Brasileiro - OEA) Auditor Internacional BASC pela World Basc Organizativo. Auditor Interno C-TPAT (Customs-Trade Partnership Against Terrorism) pela (SCSI) supply chain security international. Gestor de riscos em sistemas de gestão (ISO 31000) pela SGS Academy. Membro consultor da comissão de direito aduaneiro OAB-SP e OAB-Santos.

    Muito se fala acerca da profissão de despachante aduaneiro e sobre papel na sociedade atual. Recentemente, li uma reflexão que comparava as perspectivas da profissão com alguns cenários já obsoletos, como o caso das máquinas fotográficas de filme impregnado, dos ascensoristas, dos fabricantes de chapéus, das locadoras de vídeo cassete, entre outros. No entanto, é possível observar a partir desses exemplos, que houve a evolução de tais atividades, e não a sua extinção. Desta forma, os profissionais que atuavam nestas áreas tiveram de se reinventar e buscar uma colocação em novos paradigmas. Destacando como exemplo, existem os princípios da ótica, que são os mesmos aplicados para todas as fotografias, ou seja, exposição, luz, captação sensibilidade cores e composição, independe de se tratar de uma foto captada por um equipamento analógico ou um digital.

    Diante disso, é possível observar que os Despachantes Aduaneiros estão vivendo uma mudança disruptiva em sua atuação e tem de se adequar a este novo mundo. Porém, para uma análise mais apurada do fenômeno, alguns pontos precisam ser também abordados.

    Cenário Macro:

    1. O Comércio Internacional cresce a vigorosamente a cada ano, e mesmo nas recentes crises sanitárias e de conflitos bélicos. A Unctad previu uma movimentação de US$ 28 trilhões no ano de 2021, 23% acima dos números de 2020 e 11% acima dos índices de 2019; situação para 2022 ainda é bastante incerta; Taiwan, China, Vietnã e Brasil foram regiões com maiores altas no fluxo de comércio este ano.

    2. O Outsorcing (terceirização) tem um crescimento vigoroso e tende a aumentar como forma a se reduzir custos trabalhistas. Desta forma, as empresas procuram terceirizar atividades (inclusive atividades "fim"). Seria um contrassenso trazer para a empresa a atividade de Despacho Aduaneiro.

    O novo profissional:

    O Despachante Aduaneiro precisa se reinventar. A figura do carregador de papeis e do preenchedor de formulários tende a desaparecer. Serão características imprescindíveis a este novo perfil de profissional:

    1. Compliance Aduaneiro: Auxiliar seus clientes na mitigação de riscos no cumprimento das obrigações tributárias/aduaneiras, bem como na segurança da cadeia de suprimentos internacional.

    2. Responsabilização da pessoa física: Os despachantes, a exemplo de seus congêneres no exterior, exercem uma função acessória a do servidor público no controle das operações de Comex e deve vir a ser, cada vez mais, responsabilizado como profissional. Em alguns países é necessário que o despachante trabalhe amparado por uma Fiança que é executada no caso de uma operação indevida de seus clientes.

    3. O despachante como Consultor de Comex: Tanto na figura de agente fomentador de exportação para as pequenas e microempresas, como atuando como conselheiro tributário e aduaneiro na utilização das ferramentas de comércio exterior (regimes especiais aduaneiros).

    O mundo e a nova geração Z não querem mais saber do DIY (Do It Yourself), e sim do DIFM (Do It For Me). As profissões se apresentam cada vez mais em superespecializações, e o despachante terá de investir seu tempo e dinheiro em capacitação, como forma a buscar se apresentar como um Parceiro imprescindível e que agrega valor às operações das empresas.

    Mudar é tirar o pé de um lugar e ainda não o colocar em outro: gera insatisfação, medo, resistência e até agressividade. Conforme Vieira, Ronaldo em seu artigo (Por que as pessoas resistem as mudanças) "Resistência a mudança é qualquer atitude ou comportamento que reflete a falta de vontade da pessoa de fazer ou apoiar uma mudança desejada. Em toda organização é comum encontrarmos pessoas com essa característica e essa resistência precisa ser vencida para que a mudança tenha sucesso"

    O Portal Único, o Catálogo de Produtos, o OEA, o Blockchain, as criptomoedas, a Inteligência Artificial, a Gestão de Riscos, as Fronteiras Integradas, a LGPD, a LPCO e outros temas têm de ser inseridos em sua atividade e fazer parte do seu dia a dia. O mundo muda, o Comex muda e você tem de mudar. Faça seu plano de capacitação, posso te garantir que alguém como você, que já viu várias moedas nacionais diferentes e viveu alguns planos econômicos hetero e ortodoxos, vai ter facilidade em se encontrar neste novo Mundo.

    Fonte Internet: Aduaneiras, 21/03/2022